• Bem_Vindo

    Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas...continuarei a escrever. Clarice Lispector

  • Pensamentos

    Nossos pensamentos são as sombras de nossos sentimentos

  • Felicidade

    A Felicidade é composta de pequenos prazeres.

  • Saudades

    Te envolvia em minha saudade e te guiava para dentro de mim. Mila Lopes

  • Liberdade

    Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome. Clarice Lispector

Abraço ll

Um abraço, daqueles apertados, que você sente o gosto da alma, sente a essência do ser que te envolve nos braços, no aconchego daquele doce abraço...Era assim em anos passados, hoje teu peito bate sozinho e ainda precisas mendigar carinho de quem um dia prometeu amar-te acima das linhas do destino. Somos almas de sentimentos coletivos, não dá para viver nessa vida sem dar nem receber carinho.

Mila Lopes

Pensamentos Tempestuosos

Era outono, as árvores lentamente aspergiam sobre o solo suas folhas amareladas. O chão estava colorido, não sei se achava lindo ou me sentia tempestuosa, pois em mim as cores estavam escassas e o inverno já fazia morada. Havia arranhado as paredes na noite passada, as ranhuras haviam ficado na minha alma.

Na insananidade dos meus pensamentos meus medos navegavam como se as tempestades fossem bonança, ou um lindo balanço de águas, e eu me perdia nelas.
De repente as ondas eram tijolos, e voltei a arranha-los, minhas unhas partiam-se ao meio, estava presa em meus pensamentos.

Em um grande emaranhado de sentimentos os tijolos gritavam seus argumentos, não deixavam-me sair, pois uma intempérie agitava o outono que parecia tão lindo lá fora.
O lugar mais seguro naquele momento era o estado de introspecção que coagia meus sentimentos a ficarem quietos no peito, deixando as folhas caírem aqui dentro, e o sangue estancar dos meus dedos aqui fora.

Mila Lopes

Vestida de Infinito


A menina estava vestida de infinito, coberta de astros, cintilante como as estrelas. E em momentos, ainda que fragmentados, ela teve a linda sensação de estar com emoções imensuráveis dentro dela.
Ela sentava na grama com algo nas pernas, um conjunto de folhas impressas, nelas continha lindas  "estórias" que fascinavam a mente e o coração daquele menina.

De repente ela queria ser a princesa, outra hora queria apenas a boneca falante da  "estória". E o mundo dela era outro, quando não estava lendo, pensava em como foi linda a fábula que acabara de ler.
As letras faziam movimentos rotativos em torno dela e viravam uma nuvenzinha de sonhos imaginários.

Saltitante e ditosa com a vida que levava ela andava pelas ruas de sua cidade. E eu fico a pensar, ela estava tão feliz assim, porque não podia permanecer vestida de céu, preocupada apenas com as  "estórias" encantadas, com as bruxas malvadas? 

A menina cresceu! 

Hoje ela escreve histórias, sempre relembrando das rainhas, do infinito que vestia, dos sonhos que tinha, da folhinha que caía e ela, de tão inocente, achava que doía.

Mila Lopes

Saudosa


Eu queria poder apagar tudo o que eu vivi com você, não porque foram momentos ruins, mas porque foram bons, tão bons, que não tê-los mais dói na alma. Tua ausência atormenta o meu pensamento, machuca cada artéria que leva vida ao meu corpo. Meu resfolegar é sem vigor, inspiro saudade e expiro solidão.

Minhas forças repousam sob os meus rastros, aos grãos de poeira se fundem, viram pó, e são levados pelo vento.
Minhas lágrimas soam mais alto que a minha voz, pode-se ouvir ao longe quando uma cai sobre o meu peito, depósito de um coração saudoso.

Envolvo em meus braços a brisa que chega ao ocaso, é um abraço solitário, sinto minha alma se esvair. Às vezes dou formas as brisas, colorindo-as, tornando-as sensíveis ao meu paladar, irresistíveis ao meu olfato. Chego a sentir o teu cheiro, então, não é mais a brisa, foi você que flutuou até mim.

Mila Lopes

Ruínas

Fui doando-me aos poucos, quando percebi já estava sobre ti, dentro de ti, totalmente envolvida em fios de esperanças. Eu queria viver aquele sentimento, mas eram tênues demais aquelas linhas.
Então, veio as ruínas, mas eu não estava dentro delas, elas estavam dentro de mim.

Retalhos de mim foram o que restou. Sobejos de uma vida sobre a mesa. E você, oceanos de mim, distante como meus pensamentos das coisas que me rodeiam.
Mas, aos poucos, percebi que essa distância era apenas uma questão de matéria, tu estavas ali, entre as ruínas, e me olhavas todos os dias.

Te envolvia em minha saudade e te guiava para dentro de mim. Continuo sendo retalhos alinhavados por fios de saudades, ainda prossigo moldando tua face a outras, guardando as partes de quando éramos plurais. Mas o que a minha memória conserva de ti é salutar, é remédio para a minha dor ocultar.

Mila Lopes

A Canção

Tentei suavizar meus pensamentos, procurei inspirar lentamente remansando minha alma inquieta. Mas aquele olhar reticente não me deixava. Embrenhada em meu senso íntimo, diligenciei-me por encontrar um motivo para em ti não pensar.

Foi então que descobri que minha sensatez estava embriagada. Meus limites perfaziam tua face. Pensar em ti era tão doce, mas dentro daquela ternura toda havia uma dor rebuçada. 
Ao fundo de todo aquele cenário, onde eu dava uma volta sobre mim mesma, ressoava uma canção.
Ouvia claramente um piano, tiravam notas dele como quem compunha uma sinfonia de amor, era um carinho à minha audição, elas mergulhavam em meu ser, acalmavam meu coração.

E, ainda com meus sentimentos ébrios, fechei os olhos, viajei na canção, sentia meu corpo esvoaçar ondulando, a tua face ficando ao longe, cada vez mais distante. E, como uma clave de qualquer nota, ali eu ficava, entonada, sentindo-me majestosamente encantada.

Mila Lopes 

Impressões da Alma

Há em meu corpo um fluxo intenso de sentimentos, mas para mim é natural ouvir a tristeza palestrando e a saudade sussurrando.
De fato sou hemorrágica quanto aos meus sentimentos. Eles escoam pelos meus vasos inflamados de melancolia, saudosos de instantes únicos ao lado de quem tanto amo.

Sei que ninguém merece a minha falta de apetite, mas meu estômago resiste, não aceita iguarias.
Desejo dormir, e continuo afirmando, ninguém merece minha insônia, mas meus olhos fechados veem apenas imagens já vividas, sentimentos perdidos, encontrados pela minha mente que não descansa, mas também não se fatiga.

A minha consciência é afetada por uma enxurrada de sensações que meus sentidos recebem. Essas impressões ficam gravadas em minha alma. E porque não deixar alguém ler? Que leiam pelos meus olhos, que sintam pelas minhas mãos, cada sentimento que tenho abrigado no coração.

Mila Lopes
 
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